Com o tema Ô de Casa em 2026, Mês do Folclore propõe reflexão sobre modos de habitar o mundo, coletividade e território
O Museu do Folclore Angela Savastano encerrou a edição de 2026 do Mês do Folclore registrando a participação expressiva de 3.271 pessoas ao longo de três semanas de programação intensiva, promovida entre os dias 11 e 28 de agosto. Sob o tema “Ô de Casa!”, a iniciativa anual estruturou um percurso imersivo pensando na habitação além da estrutura física, abordando-a como patrimônio imaterial, espaço afetivo e síntese de saberes identitários. Realizado de terça a sexta-feira em quatro turnos diários de atendimento mediado, o projeto organizou pedagógica e ludicamente o conteúdo segundo as faixas etárias dos grupos agendados.

A primeira semana, dedicada à Educação Infantil, entre os dias 11 e 14 de agosto, reuniu 1.077 participantes contando com a participação de instituições como a EMEI Cassiano Ricardo. Na segunda semana, voltada aos estudantes do Ensino Fundamental I e II entre 18 e 21 de agosto, registrou-se o pico de atendimento do projeto, somando 1.101 alunos de estabelecimentos como o Colégio Elo, a EMEF Maria Aparecida Ronconi e a EE Dr. Rui Rodrigues Dória. Por fim, o terceiro ciclo, realizado entre 25 e 28 de agosto e focado no Ensino Médio, EJA e grupos comunitários diversos — incluindo a Associação Nossa Casa de Acolhida, Ecomuseu dos Campos de São José (CSJ) e a APAR —, contabilizou 1.093 visitantes, consolidando a pluralidade do alcance público da ação.

A experiência foi articulada por meio de quatro estações conceituais interligadas que traduziram as diferentes dimensões da habitação tradicional e contemporânea. Na primeira estação, dedicada ao saber fazer e construir, estavam presentes as técnicas tradicionais de construção, como a taipa de pilão e o pau a pique, ressaltando o trabalho coletivo e o manejo de materiais naturais. Em um ambiente sensorial externo composto por texturas de barro, bambu, madeira, solocimento e tintas de terra, os participantes acompanharam a prática construtiva com Rafael Vieira, bioconstrutor da Artihorta e educador do Ecomuseu CSJ, que se concluiu na presença e experiência do Mestre Biskui. O Ecomuseu CSJ, iniciativa também gerida pelo CECP, contribuiu para fortalecer o compartilhamento de saberes e fazeres e apoiar as ações educativas realizadas ao longo da programação.

A reflexão sobre os espaços cotidianos desdobrou-se na segunda estação, que abordou o quintal como extensão dinâmica da casa, território fundamental de convivência, cultivo de plantas, espaço de brincadeiras e transmissão de saberes. Em seguida, a estação sediada na Sala das Panelas reuniu dinâmicas como a história da Sopa de Pedras com os brinquedos criados pela Negrita Arteira, e o Jogo de Memórias, produzido pelo Educativo do Museu.
Por fim, a quarta estação propôs uma ampliação do conceito de moradia por meio de uma instalação cenográfica de janelas coloridas que refletiam nas janelinhas produzidas por Virginia Sacilotti e Alex Pinheiro. Ao abrirem as estruturas e fachadas, os visitantes entraram em contato com imagens de diferentes realidades habitacionais — de apartamentos, zonas rurais, quilombos, abrigos, ocupações, etc —, promovendo um debate crítico sobre pertencimento, diversidade e as múltiplas formas de habitar o mundo.
Gestão
O Museu do Folclore Angela Savastano é um espaço da Fundação Cultural Cassiano Ricardo que funciona desde 1997 no Parque da Cidade, em Santana.
Sua gestão é feita pelo CECP (Centro de Estudos da Cultura Popular), organização da sociedade civil sem fins lucrativos.
Museu do Folclore Angela Savastano
Av. Olivo Gomes, 100 – Santana (Parque da Cidade)
(12) 3924-7318 e (12) 3924-7354

