O projeto Ouvindo por Acaso, do Museu do Folclore de São José dos Campos, oferece periodicamente aos seus visitantes e às pessoas que trafegam por suas imediações, uma experiência sonora a respeito da cultura brasileira, que tem na música fortes raízes populares e manifestações folclóricas.

 

A intenção é que o público possa ouvir ‘por acaso’ (por meio de som mecânico), na área externa do Museu do Folclore, músicas do seu acervo, executadas de acordo com o ciclo cultural da época. Coordenado pela biblioteca do museu, o projeto também pode ser acompanhado pela internet a partir de agora.

 

Mais informações: 3924-7318 /  bibliotecadomuseu@gmail.com

 

NOITE FELIZ

 

Um dos hinos de Natal que mais popularidade alcançou no universo cristão, vertido para inúmeras línguas, é a composição do Padre Josep Mohr, escrita na aldeia de Oberndolf, na Alemanha, em 24/12/1818, sobre o qual, no dia imediato, Franz Gruber pôs música, dizendo ao autor do texto – “Este hino canta por si mesmo” – cujo nome original é Stille Nacht ou Heillige Nacht traduzido como ‘Noite de Paz’, ‘Noite de Amor’ ou ‘Noite Feliz’, como é mais conhecida. Estava assim concretizada a vontade dos dois amigos, Mohr e Gruber, em assinalar expressivamente o nascimento de Cristo, com mensagem de paz e amor.

 

Na noite seguinte, dia 25, no recinto da igreja local, cheio de fiéis, os dois artistas cantam a melodia que foi levada por Carlos Mauracher, que a solicitara aos autores, e começou, então, a correr mundo, até chegar ao Tirol, onde foi considerada folclórica pelo desconhecimento da autoria e transformada, assim, em canção tirolesa.

 

No ano de 1854, foi cantada perante ao Imperador Frederico Guilherme IV, que a fez integrar nos programas religiosos do Natal e deliberou a pesquisa sobre os autores da letra e melodia da canção. Como resultado, encontraram um filho de Gruber, que esclareceu serem os autores seu pai e Mohr. Ainda hoje o bisneto de Gruber canta ‘Noite Feliz’ no mesmo local onde foi apresentada pela primeira vez ao mundo e que é transmitida pela rádio de Viena.

 

Referência:

Coletânea de textos sobre o Ciclo de Natal, da Coleção Cadernos de Folclore (volume 11, ilustrado), de autoria de Maria Graziela Brígido dos Santos. São José dos Campos (SP). Foto: O manuscrito mais antigo com a canção, um autógrafo do seu compositor, padre Joseph Mohr. Autoria: Stille Nacht Museum.

 

PASTORIL

 

Segundo o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), o pastoril é o presépio constituído por jornadas soltas, canções e danças religiosas ou profanadas de épocas e estilos variados. As pastoras, vestidas de azul ou encarnado (vermelho), formam dois cordões tradicionais.

 

Os personagens em geral são: mestra, contramestra, pastoras, velho, vilão, soldado, marujo, Diana, anjo, belo anjo, ciganas etc. Nas variações encontram-se figuras cômicas e personagens como borboleta, estrela D’alva, estrela de Belém e pastor, entre outros que aparecem ocasionalmente por influência local ou reminiscência avivada. Os instrumentos variam, mas é frequente um conjunto de pau-e-corda.

 

Segundo Câmara Cascudo, representa ainda a visita dos pastores ao estábulo de Belém, ofertas, louvores, pedidos de benção, com cantos, louvações e entoadas diante do presépio na noite de Natal, aguardando-se a missa da meia-noite. Os pastoris foram evoluindo para os autos, com enredo próprio.

 

É uma ação teatral de assunto sacro, vivido por homens simples, com aproveitamento satírico e lírico, que não se transmitiu aos pastoris autênticos, que continuaram dedicados ao louvor divino. São apresentados hoje em tablados, em palcos ou em praça pública.

 

Referências:

Dicionário do Folclore Brasileiro, de autoria de Luis da Câmara Cascudo (10ª edição – ilustrado). Editora Global. São Paulo (SP).

Tesauro de Folclore e Cultura Popular Brasileira, do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CEFCP). Rio de Janeiro (2011). Disponível em: http://www.cnfcp.gov.br/tesauro/00002056.htm#

 

Ouça as músicas aqui