FESTA JUNINA

 

Foto: Paulo Amaral

Bandeirinhas e balão / Foto: Paulo Amaral

A festa junina comemorada no Brasil, genealogicamente, é uma herança e uma assimilação da interação brasil-lusitana com toque de religiosidade cristã. Em Portugal, a festa era identificada por ‘festa joanina’, com uma celebração a São João – um festejo iniciado em 23 de junho, véspera do nascimento de João Batista (precursor do batizado) e atingindo o ápice dia 24 de junho, com o efetivo nascimento de João.

 

Essa data (24/06) é um registro bíblico no Evangelho de Lucas (1:36, 56-57), de que João nascera seis meses antes de Cristo. No Brasil, o festejo se aperfeiçoou para um ciclo de festividades com os dias de Santo Antônio (13/06), São João (24/06) e São Pedro (29/06). Além da questão religioso, há também a contribuição pagã, que celebra, no mesmo ciclo, o solstício de verão (no ponto de vista do hemisfério norte).

 

ARRAIÁ – Caracteristicamente, o festejo, ou melhor o ‘arraiá’, apresenta algumas tradições e costumes que conferem identidade à festa junina.

 

FOGOS – Os fogos de artifício e efeitos pirotécnicos servem como meios para despertar os santos (juninos).

 

FOGUEIRA E BALÕES – A fogueira e os balões sinalizam o local da festa. Há quem diga, no conto popular, que as chamas do fogaréu sinalizam uma ‘contagem regressiva’ para o Natal, pois o nascimento de São João precede em seis meses o de cristo.

 

MASTROS – Os mastros glorificam e direcionam a atenção dos festeiros aos grandes homenageados, os santos.

 

QUADRILHA – A quadrilha, tradicional dança do festejo, chega ao Brasil por meio da classe média e da elite, pelo interesse à dança francesa quadrille. Em território brasileiro, o quadrille se mesclou a outras danças populares, alastrando-se a todo território e, ao penetrar nas zonas campestres, é que ela se constitui como quadrilha caipira, com abandono de passos e ritmos franceses. À moda brasileira, a dança acrescenta mais pares e o ritmo é conduzido pelos instrumentos musicais dos sertanejos, como acordeão, pandeiro, zabumba. Um verdadeiro baile de roça!

 

CULINÁRIA – A culinária é totalmente relacionada ao caipira e algumas das comidas são produzidas pela transformação do milho – vide época anual de colheita do milho -, canjica, pamonha, milho cozido e pipoca. Mas não só do milharal, como também outras comidas são típicas na festa, arroz doce, paçoca, cocada, pé-de-moleque, vinho quente, quentão, etc. Um acréscimo e identificação valeparaibana com a festa, é o bolinho caipira. Esse prato típico toma em todo Vale do Paraíba status de elemento circunstancial para a celebração do festejo, havendo em cada cidade da região um reordenamento do preparo e dos ingredientes.

 

A festa junina, pelo que se pode ver, é amplamente democrática, pois abarca todas as pessoas independentemente dos traços socioculturais. Ela está estruturada por uma base – o louvor dos santos – e por acréscimos – características e identidades adicionadas pelo povo. Logo, ter-se-á o Ciclo Junino como patrimônio imaterial da cultura popular e do folclore brasileiro.

 

Referência bibliográfica:

 

Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo. Editora São Paulo / Global (2001).

 

Áudio:

 

Festas Juninas, com o Bloco Festeiros da Alegria (Orquestra e Coro). Sonopress Rimo (São Paulo).

 

Projeto

 

O projeto Ouvindo por Acaso oferece aos visitantes do Museu do Folclore e às pessoas que trafegam por suas imediações uma experiência sonora a respeito da cultura brasileira, que tem na música fortes raízes populares e manifestações folclóricas. A intenção é que o público possa ouvir, ‘por acaso’ (por meio de som mecânico), músicas do seu acervo, executadas de acordo com o ciclo cultural da época. O projeto é coordenado pela Biblioteca Maria Amália Corrêa Giffoni. Obs.: Em razão da pandemia da covid-19, as músicas estão disponíveis apenas aqui pelo site. 

 

Mais informações: 3924-7318 /  bibliotecadomuseu@gmail.com