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Difícil quem não o conhecesse no meio musical da cultura popular, fosse pelo nome de batismo, José Soares da Silva, pelo inseparável chapéu de aba larga ou pelo gostoso som da sua viola. Nascido em São José dos Campos, ele era chamado carinhosamente de seu Zé da Viola, mestre violeiro e mestre da Folia de Reis Estrela de Belém, do Jardim Telespark.

Hoje (26), aos 82 anos, seu Zé saiu para mais uma caminhada, desta vez para não mais voltar. O som da sua viola e das músicas que cantava, algumas de sua autoria, agora, só poderão ser ouvidas nas muitas gravações que fez ao longo da vida. Uma vida de muita sabedoria, que ele nunca se negou a compartilhar.

Foto: Paulo Amaral

O mestre Zé da Viola ao centro, com toda a sua Folia de Reis

Zé da Viola foi um importante representante da cultura popular local e ajudou a fortalecer o patrimônio imaterial da região do Vale do Paraíba. Participou dos principais momentos que marcaram essa cultura regional, tanto pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, onde também era monitor de viola, como no Museu do Folclore de São José dos Campos.

No museu, inclusive, as duas últimas vezes que marcou presença foi no dia 26 de janeiro de 2020, conduzindo sua Folia de Reis, durante a 23ª Chegada das Bandeiras; e no dia 10 de novembro de 2019, em mais uma edição do Museu Vivo, programa do qual participou em várias oportunidades. Em todas elas esteve acompanhado de amigos e alunos.

A Folia de Reis Estrela de Belém, onde Zé da Viola era o mestre, foi criada em 1970. Ela é uma das 12 Folias de Reis que foram fotografadas pelo fotógrafo Paulo Amaral e fazem parte na exposição virtual do Museu do Folclore, ‘A Estrela que move o Vale’.

José Soares também foi um dos 19 personagens do 22º volume da Coleção Cadernos de Folclore (O Saber e o Fazer no Museu do Folclore – página 49), publicado pela FCCR e o CECP (Centro de Estudos da Cultura Popular) em 2012. A obra foi escrita pelo historiador e pesquisador Fábio Martins Bueno.

Zé da Viola cresceu vendo e ouvindo a cantoria de grupos de Folias de Reis, Catiras e Danças de São Gonçalo, grupos dos quais seu pai, que era pescador, sempre participou. Autodidata, aos 8 anos já tocava viola e aos 14 formou dupla com o irmão Edgar. Em 2014, ele concedeu uma gostosa entrevista ao pesquisador Chico Abelha (confira aqui).

 

Museu do Folclore de SJC
Av. Olivo Gomes, 100 – Santana (Parque da Cidade)
(12) 3924-7318

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