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Se tem uma pessoa com motivos de sobra para comemorar o Dia da Mulher, essa é Eunice de Fátima Elias Coppi Silva, 62 anos, ou só Eunice Coppi, como é conhecida no meio da cultura popular. “Sou batalhadora e corro atrás dos meus sonhos”, afirma de maneira convicta a mineira de Sabará (MG).

 

Foi em busca de um desses sonhos que ela se tornou uma artista plástica. “Eu não sou famosa, mas posso dizer que, hoje, vivo pela arte, mas um dia ainda vou viver da arte”, diz otimista.

 

Simples, comunicativa e sorridente, Eunice se descobriu artista ainda pequena. Aos 7 anos, seu sonho era fazer figuras de barro dos integrantes do bloco carnavalesco Mundo Velho, da sua cidade natal, mas dona Inácia, que ajudava sua vó, Maria da Conceição, a lavar roupa para fora, só a ensinou fazer peixinhos. “Eu tinha vontade de sair no bloco junto com meus primos, mas como eu não tinha idade, o jeito era sonhar”.

 

Quem conhece Eunice hoje, não diz que ela teve uma vida de dificuldades, ao lado do único irmão e da mãe, que veio para São José dos Campos trabalhar em casa de família. “Eu e meu irmão viemos depois, eu tinha 11 anos, fomos morar onde minha mãe trabalhava. Aí eu parei de fazer figuras de barro. Ajudei minha mãe, fui cabeleira, fiz salgadinho, trabalhei em churrascaria, já fiz muita coisa”.

 

Vida de artista

 

Mas o que era sonho no passado, hoje é uma realidade incontestável. Os trabalhos de Eunice, figuras feitas de papel e goma, tomam forma e tamanhos diferentes pelas suas mãos, no ateliê montado em sua própria casa, no Putim. Nem ela sabe bem quantas figuras já produziu até agora, estão por todo canto da casa, em cima da mesa, no chão e guardados em caixas papelão que ela mesmo produz.

 

“Essa pandemia (covid-19) foi positiva para o meu trabalho, pois tenho mais tempo para produzir. Agora mesmo estou fazendo figuras de uma Folia de Reis, que vi lá no Museu do Folclore, em janeiro do ano passado”. Seu saber foi sendo conquistado aos poucos, com experiências vividas no antigo bloco carnavalesco Martim Cererê, na Vila Maria, onde também já morou, e na sua participação no Projeto Piraquara, da Fundação Cassiano Ricardo.

 

Eunice conta que a primeira exposição onde pode apresentar seus trabalhos foi no Sesc Pompéia, em São Paulo, onde ficou 10 dias. Depois delas vieram muitas, em São José dos Campos, no Museu do Folclore, em 2017, e outras realizadas novamente na capital e algumas cidades do interior paulista.

 

“Acho que por ser uma artista popular sempre consegui ver a vida de outra maneira, pois a cultura alivia um pouco as dificuldades. Hoje, não consigo viver sem o meu trabalho. Além da satisfação em ter minha obra reconhecida, ela também me permitiu conhecer outros lugares e fazer novas amizades”.

 

A descoberta da dislexia

 

“Eu sofri muito para estudar, não conseguia me concentrar e ler direito. O resultado é que eu não consegui completar os estudos no tempo certo, como as outras crianças. Aos 16 anos tentei o Mobral, mas também desisti. Só depois de adulta é que fui saber a razão do meu problema. Meu marido, o Geraldo, é que descobriu, eu tinha dislexia. Ele me ajudou muito e eu consegui estudar até a 8ª série”, conta satisfeita.

 

Quando Eunice conheceu Geraldo José Coppi Silva, hoje com 57, ele tinha 17 anos e um filho. E ela também, de um primeiro relacionamento que não deu certo. Depois de casados, tiveram mais uma filha. “O Russo (apelido dele) é um companheiro e tanto, me ajuda muito e eu também o ajudo no serviço. Ele também é muito brincalhão. “Quando quero perturbá-la, digo que quero falar com a Fatinha, seu segundo nome”, diverte-se Geraldo.

 

Como mãe, Eunice conta que sempre foi muito educadora. “Eu trabalhei fora a vida toda, não tinha muito tempo para os filhos, então me preocupava com a educação deles”. Hoje, já com todos adultos, a atenção maior é para os cinco netos. “Eles gostam muito do avô, que tem mais tempo pra brincar. “De mim, o que eles mais querem são os bolos que faço”, diz ela.

 

Fotos: Adenir Britto/Prefeitura SJC

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